Ecos da minha terra

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9789898709813
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Livro Brochado
Ecos da minha terra : dramas angolanos Conteúdo: - Damba Maria - Mbangua Musungu - Gente do mar - O ladrão e o feiticeiro - Noites de saudades - Hebu - Miado que enternece - Qual dói mais? - A Praga - Os humildes - Complemento Quimbundo. “-- Xê, Bebeka -- grita o soba para uma das suas esposas, também passando com o seu fardo às costas e uma criança acavalada nos ombros – por que te demoraste? A mulher aproxima-se, saúda os presentes com palminhas: - É manhã senhores. – E com um suspiro de cansaço: - É cuco, estive a ouvir uma conversa que passou ontem com a sereiazinha de kanjula! - Então? Que conversa passou? - Ainda vou levar a panda, cuco. - Não. Conta isso agora mesmo, senão o nosso quilamba não fica ssossegado, também quer ouvir essa conversa... – E apontava brejeiramente para o ocultista da corte, o qual, na gulodice da curiosidade, se alheara de sua manufacturação de cordas de fibra de embondeiro. Risonha, mas submissa, pousa no chão o infame, bem como o poete de água que trazia ao dorso, suspenso da cabeça por uma corda. Desembaraçada do carrego, agacha-se respeitosamente, não sem o cuidado de ajeitar primeiro os fios de sua veste original. - - Tu sabes, cuco – diz com humildade – kanjila tem um neto que nasceu sereia. - Sim, até pediu comida, mal saiu da barriga da mãe. – Atalha confirmativamente o mago. - O régulo meneia a cabeça: - Bem sei, ouvi falar nisso. Não pediu só dessa vez? - Sim, depois esperou pelo tempo, o seu par(alusão á sereia) já estava satisfeito: a família tinha compreendido a amostra. - Quando ficou esperta – reata a mulher, rolando discretamente no tornozelo as suas três argolas- a criança, tatório! Só queria a avó(..) In “Ecos da minha terra”, excerto
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Author Óscar Ribas
Publisher Editora das Letras
Edition no. 2
Year of publication 2016
Page numbers 197
Format Livro Brochado
Language Portuguese
ISBN 9789898709813
Country of Origin Angola
Dimension [cm] 23 x 16
About the Author Óscar Ribas nasceu em 1909, em Luanda. Trabalhou como funcionário público, cedo reformado por ter cegado aos 35 anos. Etnógrafo, ficcionista e poeta, realizou constante pesquisa etnográfica da região de Luanda e arredores, cujos valores culturais divulgou internacionalmente. A propósito da sua obra, Mário António declara: “O interesse particular da sua obra surge de se situar paredes-meias entre a pesquisa etnográfica e a criação literária: a primeira informando a segunda, a segunda vivificando a primeira. Tal situação tem a vantagem de corresponder à situação de contacto característico da zona de referência da obra de Óscar Ribas: a zona, em Angola, de mais intensas aculturações, com centro em Luanda. Desse solo tem sabido Óscar Ribas erguer as flores e uma obra já hoje internacionalmente consagrada” (in Boletim Geral do Ultramar, 1967). O talento de Óscar Ribas foi reconhecido em diversos países através das distinções e prémios que conquistou: Menção Honrosa da AGU, por Uanga, 1951; Prémio Margaret Wrong, do International Comittee on Christian Literature for Africa, em Praga 1952; Ordem do Infante D. Henrique, por Portugal, 1962. Em Angola, recebeu o Prémio de Etnografia do Instituto de Angola, por Ilundu (1959); Prémio Monsenhor Alves da Cunha, da Associação dos antigos Estudantes de Coimbra em Angola, por Missosso III (1964); Prémio Nacional Literatura e Prémio Nacional de Ciências Sociais (1992). Óscar Ribas tem as seguintes obras editadas: Nuvens que passam (1927); O resgate de uma falta (1929); Flores e espinhos (1948); Uanga (1951); Ilundo (1958); Ecos da minha terra (1952); Missosso I, II e III (1961-64); Usos e costumes angolanos (1964); Alimentação regional angolana e Izomba (1965); Sunguilando (1967); Quilandukilo (1973); Tudo isto aconteceu (1975); Temas da velha Angola e suas incidências (1987); Cultuando as musas (1992). O seu nome figura em várias antologias estrangeiras, e em tantas outras angolanas.
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