Angolanidade e História

In stock
SKU
40180
$15.62

Livro - Capa mole

É para mim um grande privilégio encontrar-me hoje diante de tão ilustres personagens,com a finalidade de tecer algumas considerações sobre a obra de minha autoria, intitulada "Angolanidade e História" - forçando-me,deste modo, a ser "juiz em própria causa". Talvez por isso me sinta um pouco embaraçado em poder abordar, com rigor e isenção, um tema aparentemente simples mas que, sobretudo nos dias que correm, reveste-se de uma inegável complexidade, desde logo porque - por força de uma correlação lógica, de causa e efeito - os dois termos ("História" e "Angolanidade") nos remeterem, imediatamente, para o conceito (para alguns, polissémico) de "Identidade". A este respeito, apraz-me repartir convosco o seguinte episódio: no último sábado do passado mês de Junho do corrente ano, no habitual programa da Rádio Nacional de Angola, "palavras e textos", escutei da boca de um eminente catedrático da nossa praça a afirmação de que o conceito identidade não passa de mera falácia, introduzida pelos colonizadores para melhor dominarem os povos colonizados. Obviamente, e embora respeitando a sua opinião, todavia não concordei;primeiro, porqueeu considero o lexema identidade como algopalpável, real;segundo: sou defensorde um maior aprofundamento do mesmo, visando o melhor conhecimento dos diversos espaços sócio-culturaisno concerto das várias nações. Penso que na abordagem do nosso catedrático tenha faltado, da sua parte, definir, previamente,o que ele entendeu por "identidade", em poucas palavras: faltou ter explicado aquilo que, em filosofia, é conhecido por supositioterminis ou seja: a necessidade se definir primeiramente os conceitos a serem utilizados na exposição de um determinado tema ou assunto em análise, visando um entendimento homogéneo, de maneira a se evitarem desnecessárias antinomias hermenêuticas.

Mas, voltemos ao tema principal.

- Quem somos?- De onde viemos? - Para onde vamos? Ou, o que vem a dar no mesmo:nós, enquanto angolanos, qual é a nossa real Identidade?. São, na verdade, questões quentes mas que,não obstante tudo,a citada obra tenta responder, com a frontalidade que as mesmas merecem.Com efeito, a Angolanidade enquadra-se,como que num articulado harmonioso, com a História Pátriaporquanto é ao longo das várias etapas cronológicasque,passo a passo, se verifica o lento desabrochar endógeno do conceito (angolanidade) que, paulatinamente, se vai consolidando,rumoà sua completa maturação.

É, pois, à volta destes três pilares analíticos (quem somos?, de onde viemos?, para onde vamos?) que todo o trabalho se concentrou. Sou, pois, de opinião de que a Angolanidade não deve ser vista com a lupa embaciada pelo orvalhode um calculístico rigor científico-matemático, mas sim nocontexto dinâmico da vida humana,alicerçada na convivência social,esta, por sua vez, enxertada numa atmosfera de socialização comunitária constituída por vários agregados antropológico-culturais.Ora, é neste momento que surge a pergunta que não se quer calar: terá valido a pena, ou não, o esforço empreendido, neste sentido?

A resposta deixo-a ao critério dos leitores que se debruçarão sobre o trabalho.Entretanto apraz-me informar que, em todo o percursoda elaboração daobra,seguio conselho do grande intelectual africano, o maliano AmadouHampâtéBâ que me disse: (Barros) "compete aos Africanos falar de África aos estrangeiros e não os estrangeiros, por mais sábios sejam eles, falar de África aos Africanos" ("Kaidara, RécitInitiatiquePeul") ao que eu respondi, dizendo-lhe: mestre, concordoplenamente eacho que, de facto, só deste modo é que os africanos deixarão de serem vistos pormuitos cidadãos dos países ditos "mais avançados", como os eternos "bons rapazes selvagens", na polémica e tão debatida visão de um Jean Jacques Rousseau e seus sequazes.Na verdade e aqui entre nós, falar sobre a Angolanidade, com suporte na sua História, nada mais é do que lançar o veemente apelo a todos os angolanos para a premente tomada de conscientização plena da sua endogenidade africana.

Domingos Barros Neto

More Information
author Domingos F. de Barros Neto
Publisher Mayamba
Edition no. 1
Year of publication 2017
Page numbers 135
Format Livro capa mole
Language Portuguese
ISBN 9789897610967
Country of Origin Angola
Dimension 23 x 15,5 x 0,8
About the Author

Domingos Fernandes de Barros Neto Natural de Cazengo, Província do Kwanza-Norte frequentou os seminários capuchinho e diocesano de Luanda. É licenciado em filosofia em Itália e em Direito pela Universidade Agostinho Neto.
Poeta e prosador, é autor das seguintes obras:
- U'lungu (poesia, 1995), Terra nova (poesia, 2000), Sinfonias (ensaios, 2010), Sombras do Passado (2015).

Write Your Own Review
Only registered users can write reviews. Please Sign in or create an account