Como vi a missão do Dondi

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Livro capa mole

PREFÁCIO

Chegar ao Dondi foi uma meta incontornável para muitos filhos de indígenas do grande Planalto Central de Angola. Na batalha contra o subdesenvolvimento, agravado pelo obscurantismo colonialista, a alternativa ao Dondi eram as missões católicas e o ensino particular sujeito a exames oficiais da 4.ª classe. Todavia, até 1962, o ensino público colonial nunca tinha oferecido abertura aos autóctones. Entretanto, o jovem que ingressasse no Instituto Currie do Dondi ? para as raparigas, na Escola Means ? era um herói da família e da sua comunidade cristã. De facto, os nascidos na Missão do Dondi, como Fonseca Chindondo, eram os privilegiados.

Efectivamente, Como vi a Missão do Dondi é um "filão" de informações para a história recente de Angola, pois tem a honra de buscar marcos humanos, temporais e físicos. Este livro descreve tesouros extintos, como a floresta "milenar" da Missão, uma autêntica estação botânica ou ilha ecológica que escapou a incêndios por sete décadas, ao abrigo da protecção missionária, que sucumbiu à febre do carvão vegetal dos tempos da guerra pós-colonial (1975-1991).

O autor presta uma merecida homenagem a seus professores, irmãos, colegas e instituições de ensino. Canta Idalina Njivala, essa eterna mãe que o acalentou com um pedaço de pão para que não perturbasse o funeral do pai, no cemitério do Njimbo. Idalina, mãe de todas as meninas estudantes do Lutamo. No entanto, Fonseca deixa denunciada a sua fraqueza: o sonho de regressar ao Dondi da sua infância ? o seu Dondi, das cores do arco-íris ? para filmar e resgatar um passado recalcado atrás dos escombros. Não se esqueceu de nada: o hospital onde nasceu; o deficiente mental Satchilwama; o "Selongo" e carvoeiro Carvalho; os frutos silvestres; a Escola Means; o Seminário Emanuel Unido; o Lutamo, sede da Missão regional do Dondi, entre outras realidades.

Passaram pelo Dondi milhares, desde 1914 (ano da sua fundação). Um após outro regressava às origens com o saber acumulado. Todos os regressados trabalharam os campos como aprenderam no seu Instituto polivalente; ergueram casas; escolas e hospitais, que ilustram a qualidade do desenvolvimento humano nas terras altas de Angola. Entretanto, no seio de muitos, o autor destaca-se, com a caneta, erguendo o que todos os estudantes do Dondi viram e não perpetuaram. Um projecto da dimensão da Missão do Dondi tinha que ter raízes e história. Como vi a Missão do Dondi busca as raízes mais compridas e profundas, que apontam para Massachusets e para Conneticut nos Estados Unidos da América. Ali, jovens entregues a Deus e a Cristo decidiram, na segunda metade do Séc. XIX, criar um movimento congregacional para outros continentes. Em Angola, o alvo primário foi o Bié. O programa estender-se-ia pelo corredor do CFB e do litoral atlântico ao rio Kwanza.

O livro aponta para o Instituto Currie do Dondi como rampa de lançamento da expansão missionária congregacional. Uma escola ignorada, sem espaço no segregado sistema colonial de ensino, que acabou sendo o fermento das comunidades para o discreto desenvolvimento rural integrado do planalto no Séc. XX.

Portanto, Como vi a Missão do Dondi é um bom guia para aqueles que procuram o "destino turístico às ruínas" e uma obra que levará, seguramente, o leitor a descobrir peças valiosas da história recente do nosso país Angola.

Eugénio Antonino Ngolo (Manuvakola)
Ex-Deputado à Assembleia Nacional da República de Angola
Luanda, Março de 2018

More Information
author Fonseca Chindondo
Publisher Mayamba
Edition no. 1
Year of publication 2018
Page numbers 91
Format Livro capa mole
Language Portuguese
ISBN 9789897611599
Country of Origin Angola
Dimension 23 x 15,5 x 0,7
About the Author

Fonseca Emanuel Chindondo Nasceu no Hospital do Dondi, Huambo. É pós-graduado em Tutoria e mestrando em Economia Monetária e Financeira pela Universidade de Évora e em Governação e Gestão Local pela Faculdade de Direito no Centro de Pesquisas em Políticas Públicas e Governação Local da Universidade Agostinho Neto. Possui uma carreira profissional com grande destaque, salientando-se os seguintes pontos:

De 1967 a 1968 fez o Curso Geral ou Curso de Admissão aos liceus na Missão do Dondi-Lutamo;
De 1970 a 1973 fez o Curso Geral de Mecânica na Escola Industrial e Comercial Sarmento Rodrigues em Nova Lisboa;
De 1974 a 2002 participou na luta de Libertação Nacional e da conquista da Democracia multipartidária;
De 2004 a 2008 foi Vice-Ministro da Comunicação Social no Governo de Unidade e Reconciliação Nacional.
Em 2014, foi eleito Comissário Provincial Eleitoral de Luanda, cargo que exerceu até Julho de 2017.
Actualmente, o autor é brigadeiro (na reforma), politólogo, gestor e conferencista.

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