A canção Messene conquista em mim uma enorme admiração pela forma como desenhamos a letra, a iludir o colono que estávamos a nos dirigir para Jesus. Messene, em Português, significa mestre. Como naquela altura o colono não deixava estudar, e muitos de nós não sabiam ler e escrever, para nós, que estivemos activamente na luta, era muito importante que o povo entendesse a mensagem, por isso é que muitas vezes utilizávamos a música em vez de textos para passar a mensagem aos demais.
A canção Messene, metaforicamente, diz o seguinte: Mestre, vem-nos ensinar a ler e a escrever, porque desde que nascemos nunca ninguém nos ensinou a ler e a escrever, e hoje crescemos, queremos trabalhar, e não nos permitem porque não temos nenhuma qualificação, e dizem que só nos resta ir trabalhar na horta (camocove), portanto, vem-nos ajudar, mestre. No fundo, a verdadeira intenção era para despertar o colono a abrir o nosso acesso à escola para, de facto, os angolanos aprenderem a ler e a escrever, no entanto, não era nada para trabalhar nas indústrias coloniais, mas sim para facilitar o trabalho político da clandestinidade.
| Author | Pedro da Rosa |
|---|---|
| Publisher | Mayamba |
| Edition no. | 1 |
| Year of publication | 2025 |
| Language | Portuguese |
| Country of Origin | Angola |
| About the Author | Pedro José Da Rosa, nasceu em 15 de Setembro de 1988, em Luanda. Formado em Economia pela Universidade Católica de Angola (UCAN), é profissional bancário no BANCO de Fomento Angola (BFA), escritor e investigador cultural, autor do livro O Nosso Semba, presidente da Associação Solidária com o Desenvolvimento da Angola (ASOMDA), membro da Direcção do Conselho Nacional da Sociedade Civil (CNSC), membro da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), membro dos grupos culturais e desportivos da ENDE e do BFA, palestrante com participação em simpósios nacionais e internacionais, convidado dos programas Quintal do Poeira e Quintal do Dionísio, da Rádio Nacional de Angola (RNA), com vários artigos publicados no Jornal de Angola e o Pais, citando alguns, “A Cultura e os Estadistas Angolanos”, “Nguxi Não Morreu” e “ Há um batuque no Mufete de André Mingas” |