"Os Discursos do Mestre Tamoda", de Uanhenga Xitu (Agostinho André Mendes de Carvalho), é uma obra satírica angolana que critica a política de assimilação colonial. Através da personagem Tamoda, um angolano que usa um português rebuscado e incorreto para se sentir superior, o livro ironiza a perda de identidade cultural e o desajuste social dos "assimilados".
Resumo da Obra:
• O Protagonista (Tamoda): Um homem da sanzala que, ao aprender fragmentos da língua portuguesa e leis coloniais, autointitula-se "Mestre". Ele usa um discurso pomposo, mas sem sentido real, para impressionar e humilhar os seus próprios compatriotas, agindo como um caricato imitador do colono.
• Crítica Social e Política: Escrito enquanto o autor estava preso no Tarrafal, o livro utiliza o humor para denunciar a estrutura colonial, que forçava os angolanos a abandonar a sua cultura para serem aceites, resultando em um "não-lugar" identitário.
• O "Discurso": A essência da obra está nas falas exageradas de Tamoda, que se torna uma figura trágico-cômica, demonstrando a inadaptação e o ridículo da tentativa de apagamento cultural.
• Contexto: Uanhenga Xitu valoriza a vivência na sanzala e os ensinamentos dos mais-velhos, usando a literatura para combater as barreiras étnicas e sociais coloniais.
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O livro é considerado uma peça importante da literatura angolana por denunciar as práticas de poder, a exclusão e a precariedade da educação colonial, ao mesmo tempo que oferece uma reflexão crítica sobre a identidade nacional.
| Author | Uanhenga Xitu |
|---|---|
| Publisher | Mayamba |
| Year of publication | 2025 |
| Language | Portuguese |
| Country of Origin | Angola |
| About the Author | Uanhenga Xitu é o nome do ficcionista angolano Agostinho André Mendes de Carvalho, nascido em Calomboloca, Icolo e Bengo, a 29 de Agosto de 1924. Era enfermeiro de profissão. Militante do MPLA, foi preso pela Polícia Política Portuguesa (PIDE) em 1959, por actividades políticas, que visavam a independência de Angola e, de 1962 a 1970, esteve preso no campo de concentração do Tarrafal em Cabo Verde. É um dos Membros fundadores da União de Escritores Angolanos (UEA), da qual foi Presidente da Comissão Diretiva. Escritor prestigiado em Angola e no estrangeiro, as suas obras encontram-se traduzidas em várias línguas. Escreveu os seguintes títulos: O Meu Discurso (1974); Mestre Tamoda (1974); Bola com Feitiço (1974); Manana (1974); Vozes na Sanzala (Kahitu) (1976); Mestre Tamoda e outros contos (1977); Maka na Sanzala (1979); Sobreviventes da Máquina Colonial Depõem (1980); Discursos do Mestre Tamoda (1984); O Ministro (1989); Cultos Especiais (1997). |